SISTEMAS DE CRIAÇÃO DE RÃS
A Criação de rãs existe no Brasil desde 1935, quando um técnico canadense trouxe os primeiros exemplares da rã touro, originária da América do Norte para iniciar sua criação. Houve uma adaptação muito rápida e uma surpreendente superioridade na criação em nosso país devido ao clima de temperaturas mais altas. Como a rã não engorda nem reproduz em temperaturas frias, há uma melhora na qualidade da rã brasileira em relação às outras.
As origens da ranicultura remontam à caça predatória realizada, principalmente nos países do Sudeste Asiático, sendo Taiwan o líder mundial na produção, utilizando ainda esse sistema, seguido pelo Brasil como segundo maior produtor.
O problema é que a caça predatória causa extinção das espécies em seus habitats naturais, causando protestos da comunidade internacional, principalmente dos maiores países compradores, países ricos muito ligados às questões ambientais,
Por isso, os países asiáticos desenvolveram um sistema de repovoamento de rãs nos arrozais, com a posterior captura. O problema é que aí o produto perde em qualidade devido ao uso dos defensivos agrícolas utilizados na produção do arroz que também contaminam os animais. Portanto, a aceitação da rã oriunda da caça predatória ou dos arrozais não tem uma aceitação tão boa como a produzida em cativeiro.
O Brasil é pioneiro no desenvolvimento de sistemas alternativos de criação de rãs em cativeiro. Universidades e entidades governamentais desenvolveram diversos deles:
Tanque Ilha
O mais antigo e antes largamente utilizado pelos criadores pioneiros. Atualmente, encontra-se em desuso.
Confinamento
Desenvolvido pela Universidade Federal de Uberlândia (MG), atualmente encontra-se em desuso. Sua principal característica é a ausência de cocho, a ração é colocada diretamente na área seca do piso.
Anfigranja
Desenvolvido pela Universidade Federal de Viçosa (MG). Sua principal característica é a utilização do cocho para alimentação, do abrigo e da piscina.
Alagado/Inundado
Foi primeiramente trazido à América pelos argentinos, chagando ao Brasil somente no ano de 1995. Sua principal característica é a ausência de área seca, ou seja, todo o território da baia permanece alagado. A alimentação é feita à lanço.
Estufa
Desenvolvido pelo Instituto de Pesca de São Paulo (SP), com o intuito de promover temperaturas altas e constantes nos ranários localizados em regiões frias. Sua principal característica é o uso da plasticultura.
Houve uma época, há vinte anos atrás, que houve uma adesão expressiva de empreendedores que iniciaram suas atividades na ranicultura convencional. Noventa por cento desistiu devido a uma série de problemas como:
Climatização: a reprodução e a engorda das rãs durante o inverno não acontece. Como os sistemas convencionais são abertos, não é possível realizar a climatização do ambiente criatório, colocando a produção sob o efeito da sazonalidade.
Canibalismo: Na fase de engorda as instalações dificultam a separação dos animais por tamanho. As rãs maiores comem as menores diminuindo o plantel.
Predadores: Nos sistemas abertos, há uma facilidade de acesso de ratos, gatos, pássaros e principalmente pessoas que consomem as rãs causando prejuízos enormes.
Investimentos: Para implantar uma ranário nos sistemas tradicionais é preciso um grande espaço físico, normalmente em ambiente rural, muitas obras de construção civil, como tanques, baias, estufas que tornam
o custo inicial muito grande aumentando muito o tempo de retorno do investimento.
Espaço Físico: Até hoje, desde 1935, a densidade de criação nos sistemas convencionais gira em torno de 30/50 rãs/M², o que é muito pouco comparado ao já atingido no SVA que facilmente se observa a média de 1800 Rãs/M².
Outras dificuldades: Manejo alimentar, manejo animal, manejo profilático, ganho de peso e principalmente produção contínua, somados aos anteriores continuam sendo os grandes problemas da ranicultura convencional, a nível comercial. Como as rãs ficam no chão e em grandes tanques, fica muito difícil entrar para pegá-las quando se precisa selecionar por tamanho, retirar rãs doentes, etc.
Hoje, apesar de a grande parte dos ranários brasileiros aderirem, ainda aos sistemas convencionais, observa-se uma crescente migração para o Sistema Vertical Aqüicultura.
É claro que a mudança requer tempo e planejamento, já que um ranário convencional instalado significa muito dinheiro investido podendo haver uma resistência inicial à mudança. A grande vantagem que um ranicultor convencional tem ao migrar para o SVA é a sua experiência no trato das rãs. Ou seja, se 90% dos problemas em ranicultura ocorrem por falha de manejo, ele terá essa possibilidade altamente reduzida, bastando apenas um treinamento de reciclagem para se adaptar às condições do SVA que são extremamente mais fáceis.
A grande maioria dos ranicultores experientes aprova o SVA ao conhecê-lo pessoalmente. É claro que é preciso conhecer a novidade para atestar sua eficiência e comprovar sua aplicabilidade. |