O MERCADO PARA OS PRODUTOS DAS RÃS
Atualmente, o produto da rã mais comercializado é a carne. Apesar de ainda existir uma pequena parcela de pessoas que a consomem, por causa do seu preço elevado, a demanda chega a ser de três a quatro vezes maior do que a oferta. Portanto, não existem esforços consideráveis de formação de novos consumidores porque o mercado não consegue atender aos que já existem.
Assim, qualquer ranicultor que inicie as suas atividades e é treinado em todas as fases da criação, inclusive no abate, pode atender o consumidor final diretamente, sem intermediários. O ranicultor doméstico ou comercial de pequeno porte precisará fazer pouco esforço para colocar seu produto no mercado. Como sua produção é menor, é comum a simples divulgação entre amigos e parentes serem suficientes para dar conta de toda a produção. No caso de um ranário comercial de maior porte, deve-se fazer um planejamento de marketing e vendas buscando atender consumidores finais ou distribuidores. De maneira geral, os distribuidores que atuam com produtos alimentícios estão sempre procurando um fornecedor regular de carne de rã e como a maioria dos ranários ainda é convencional, fica difícil o atendimento contínuo e regular.
Para se ter uma noção, atualmente, a carne de rã é vendida pelo produtor direto ao consumidor por R$ 20,00/kilo. Se for só a coxa chega a R$ 30,00/kilo. Caso a venda seja ao distribuidor, o preço cai em torno de 20 a 30%. O produtor pode também vender a rã viva, que varia, em média a R$ 7,50/kilo. As grandes redes de supermercados oferecem a rã ao consumidor por R$ 40,00 a R$ 60,00/kilo, e o que ocorre normalmente é que ela não demora mais que alguns dias para ser totalmente vendida.
Do mercado externo, é comum encontrar grandes pedidos que não são atendidos. Por ser a rã brasileira a mais aceita lá fora, os consumidores mundiais, aqueles que já costumam comer rã há muito tempo, vivem buscando no Brasil uma fonte garantida de suprimentos. Já não se sabe que o Brasil vai alimentar o mundo? Mas o que ocorre no caso da carne de rã é que esses pedidos normalmente não são atendidos ou são atendidos em pequenas quantidades. No caso do mercado internacional, a situação é parecida com a brasileira, a demanda chega a ser quatro vezes maior do que a oferta.
Além da carne in natura, estudos apontam que o mercado tem grande potencial de receptividade para os produtos industrializados da rã como lingüiça, hambúrguer, carne defumada, enlatada, farinha e outros mais. O problema é que não há oferta capaz de atender o mercado de carne, quanto mais o de produtos beneficiados.
Fora isso, existe a pele de rã que curtida se transforma num dos mais nobres couros que se tem notícia. Mesmo o tamanho de cada pele sendo pequeno, já existem tecnologias que produzem mantas de couro de rã sem costura. O couro da rã é tão maleável e resistente que é usado pelos pilotos de automobilismo para suas luvas, em moda lançado pelo nosso Airton Senna há mais de dez anos atrás. Já existem grandes estilistas internacionais fazendo suas peças à base de couro de rã. O que não existe é volume suficiente para atender esse mercado.
Ainda há uma outra grande aplicação para a pele de rã, até então inexplorada. Alguns países já desenvolveram tecnologia para dessalinização da água do mar transformando-a em água potável com a utilização de filtros que usam peles de rã.
Já existem pesquisadores que se dedicam a desenvolver produtos farmacêuticos e cosméticos com o que não se aproveita atualmente, as vísceras, a cabeça e as patas.
É por esse conjunto de fatos e mais uma variedade de outros que a produção de rãs é uma atividade promissora e rentável. É por isso que a Ranamig está criando parcerias com ranicultores para formar uma rede de distribuição nacional e internacional para os produtos da rã em larga escala. E é por esses motivos que até mesmo a ranicultura doméstica é uma atividade com grandes possibilidades de sucesso.
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